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Com
Ciência Ambiental: jornalismo, militância e ação
pedagógica
Está
no ar, desde o início do segundo semestre de 2006, a revista
Com Ciência Ambiental, uma publicação da recém-criada
Editora Casa Latina, de periodicidade mensal, e que se propõe
a abordar as questões ambientais em suas distintas vertentes
- econômica, política, social, cultural e científica.
Segundo
a Editora, "o diferencial deste novo produto editorial reside
na rigorosa apuração das informações,
no distanciamento do tom militante e na busca de experiências
que representem avanços ambientais importantes. Além
de reportar os fatos, a revista difundirá estudos e pesquisas,
assumindo sua preocupação pedagógica de estimular
a formação de uma opinião pública
qualificada. A publicação dará ênfase
à América Latina e à África, por entender
que as temáticas ambientais dessas regiões têm
pálida presença nos meios de comunicação.
Com base nessa filosofia editorial, Com Ciência Ambiental
pretende contribuir, sem proselitismos, para fortalecer as perspectivas
de um outro mundo possível e ecologicamente viável.
"
O
público-alvo da Com Ciência Ambiental é, em
princípio, bastante amplo, tendo em vista sua proposta
editorial. Está constituído de representantes dos
setores do direito, saneamento, turismo, hotelaria, arquitetura,
educação, saúde, cultura, economia, transporte,
biologia e energia; profissionais das mais diversas áreas
com interesse direto ou indireto em meio-ambiente, de órgãos
públicos e empresas privadas; lideranças políticas,
comunitárias e sindicais; ambientalistas, artistas, cientistas,
empresários e educadores; estudantes do ensino médio,
superior e de pós-graduação; cidadãos
interessados nas questões ambientais locais e globais.
A
cobertura jornalística e o trabalho editorial de Com Ciência
Ambiental se valem das contribuições plurais de
jornalistas ambientais, editores científicos, pesquisadores
acadêmicos e ambientalistas radicados em diversas regiões
brasileiras, na América Latina, na Alemanha, nos Estados
Unidos e na África. A diretora de redação
é Cilene Victor e os editores, Nilda Rodrigues e Eduardo
Santos. O Conselho Editorial e um grupo de colaboradores, recrutados
entre profissionais de prestígio no mundo acadêmico,
político , jornalístico etc garantem a qualidade
das informações e o espírito crítico,
essenciais para uma revista que pretende fazer história.
Governo
vai editar publicação sobre espécies exóticas
invasoras
O
Ministério do Meio Ambiente, por meio do Projeto para Conservação
e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica
Brasileira – PROBIO, vai lançar no segundo semestre
de 2006 (com previsão inicial para setembro) o “Informe
Nacional sobre Espécies Exóticas Invasoras”,
desenvolvido em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária – Embrapa, com o objetivo de mapear
pragas atuais e potenciais que podem comprometer os sistemas de
produção da agricultura, pecuária e silvicultura
brasileiras. Espécies exóticas invasoras englobam
invertebrados (ácaros e insetos) e microrganismos (bactérias,
fungos, vírus, viróides, prions e nematóides)
e podem ser definidas como espécies que se encontram fora
de seu ambiente natural, onde passam a se reproduzir e exercer
dominância sobre outros organismos, constituindo ameaça
à diversidade biológica - causando impactos ambientais
ou perdas de produção. Um exemplo recente de praga
introduzida no Brasil é o da ferrugem da soja, que causou
prejuízos superiores a US$ 7 bilhões.
O
documento vai abordar o diagnóstico de pragas exóticas
atuais ou introduzidas bem como aquelas de perigo potencial para
o Brasil, ou seja, que ainda não entraram no país.
As informações contidas no documento darão
subsídios na tomada de decisões públicas
quanto a medidas de prevenção e controle. As informações
abrangerão também todos os tipos de grupos biológicos
que afetam o ambiente marinho; águas continentais; terrestres
e a saúde humana.
À
Embrapa coube o levantamento das pragas que podem representar
ameaças à agricultura, pecuária e silvicultura.
Os estudos foram desenvolvidos por cinco de suas 38 unidades de
pesquisa – Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília,
DF); Caprinos (Sobral, CE); Suínos e Aves (Concórdia,
SC); Florestas (Colombo, PR) e Gado de Corte (Campo Grande, MS)
- e resultaram na indicação de 155 espécies
invasoras exóticas atuais e potenciais, divididas em: 92
pragas agrícolas; 30 relacionadas à silvicultura,
11 de forrageiras, 15 de caprinos e ovinos e sete de suínos
e aves.
Segundo
a pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia,
Olinda Maria Martins, o Informe apresenta o maior número
possível de informações sobre as pragas,
incluindo o nome científico, nome popular, locais de ocorrência
e características morfológicas, bioecologia, técnicas
de prevenção e controle, etc. O objetivo é
aumentar o conhecimento sobre as espécies exóticas
ou pragas e, assim, auxiliar na definição de medidas
para prevenir a sua entrada ou promover o seu controle.
A
pesquisadora explica que o documento vai auxiliar na revisão
das políticas públicas brasileiras e na criação
de novas medidas para fomento do uso sustentável da agricultura,
pecuária e silvicultura. Além disso, ela espera
que contribua significativamente para aumentar a conscientização
pública quanto à importância da segurança
biológica no Brasil.
Conscientização
pública é fundamental
Com
o crescimento do agronegócio e do comércio internacional
cresceram também os riscos de entrada de pragas no país.
As exportações do agronegócio brasileiro
aumentaram 7,3% no primeiro quadrimestre desse ano com relação
a 2005, segundo levantamento do Instituto de Economia Agrícola
(IEA) do governo do estado de São Paulo. Se por um lado,
o agronegócio é um dos setores que mais crescem
no Brasil, por outro é também o mais vulnerável,
em função do risco da entrada de pragas e enfermidades
que podem devastar a nossa agricultura e pecuária se não
forem tomadas as medidas necessárias.
A
simples entrada de um “vasinho de plantas” trazido
inocentemente do exterior como souvenir pode representar perigo,
pois junto com ele podem entrar também inimigos invisíveis
a olho nu, como fungos, vírus, bactérias e outros
microrganismos e insetos, que podem comprometer seriamente a economia
brasileira. “É muito importante que a sociedade em
geral tenha consciência desses riscos, pois só assim
conseguiremos um futuro melhor por meio da sustentabilidade da
agricultura e proteção do meio ambiente”,
enfatiza Olinda.
Por
isso, o Informe sugere como medidas importantes para prevenir
a entrada das espécies exóticas invasoras: o aumento
da conscientização da população, especialmente
a partir dos veículos de comunicação de massa;
e a inclusão desse tema e de outros vinculados à
segurança biológica, no ensino brasileiro. Espera-se,
ainda, que o documento sensibilize o governo brasileiro a aumentar
os investimentos em capacitação e treinamento dos
pesquisadores e técnicos que atuam na inspeção,
fiscalização, detecção e identificação
de pragas, além de propiciar melhorias nos laboratórios
credenciados para a análise fitossanitária ou quarentenária
de espécies vegetais. Segundo Olinda, todas as informações
levantadas e reunidas no documento foram agrupadas em uma base
de dados que será disponibilizada para todas as instituições
brasileiras que atuam na prevenção e controle de
espécies exóticas invasoras.
( Texto de Fernanda Diniz,
jornalista, Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia)
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