Volume 3
Número 4

20 de julho de 2006
 
 * Edição atual    
Documento sem título

          Com Ciência Ambiental: jornalismo, militância e ação pedagógica

         Está no ar, desde o início do segundo semestre de 2006, a revista Com Ciência Ambiental, uma publicação da recém-criada Editora Casa Latina, de periodicidade mensal, e que se propõe a abordar as questões ambientais em suas distintas vertentes - econômica, política, social, cultural e científica.

         Segundo a Editora, "o diferencial deste novo produto editorial reside na rigorosa apuração das informações, no distanciamento do tom militante e na busca de experiências que representem avanços ambientais importantes. Além de reportar os fatos, a revista difundirá estudos e pesquisas, assumindo sua preocupação pedagógica de estimular a formação de uma opinião pública qualificada. A publicação dará ênfase à América Latina e à África, por entender que as temáticas ambientais dessas regiões têm pálida presença nos meios de comunicação. Com base nessa filosofia editorial, Com Ciência Ambiental pretende contribuir, sem proselitismos, para fortalecer as perspectivas de um outro mundo possível e ecologicamente viável. "

         O público-alvo da Com Ciência Ambiental é, em princípio, bastante amplo, tendo em vista sua proposta editorial. Está constituído de representantes dos setores do direito, saneamento, turismo, hotelaria, arquitetura, educação, saúde, cultura, economia, transporte, biologia e energia; profissionais das mais diversas áreas com interesse direto ou indireto em meio-ambiente, de órgãos públicos e empresas privadas; lideranças políticas, comunitárias e sindicais; ambientalistas, artistas, cientistas, empresários e educadores; estudantes do ensino médio, superior e de pós-graduação; cidadãos interessados nas questões ambientais locais e globais.

         A cobertura jornalística e o trabalho editorial de Com Ciência Ambiental se valem das contribuições plurais de jornalistas ambientais, editores científicos, pesquisadores acadêmicos e ambientalistas radicados em diversas regiões brasileiras, na América Latina, na Alemanha, nos Estados Unidos e na África. A diretora de redação é Cilene Victor e os editores, Nilda Rodrigues e Eduardo Santos. O Conselho Editorial e um grupo de colaboradores, recrutados entre profissionais de prestígio no mundo acadêmico, político , jornalístico etc garantem a qualidade das informações e o espírito crítico, essenciais para uma revista que pretende fazer história.

          Governo vai editar publicação sobre espécies exóticas invasoras

         O Ministério do Meio Ambiente, por meio do Projeto para Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira – PROBIO, vai lançar no segundo semestre de 2006 (com previsão inicial para setembro) o “Informe Nacional sobre Espécies Exóticas Invasoras”, desenvolvido em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, com o objetivo de mapear pragas atuais e potenciais que podem comprometer os sistemas de produção da agricultura, pecuária e silvicultura brasileiras. Espécies exóticas invasoras englobam invertebrados (ácaros e insetos) e microrganismos (bactérias, fungos, vírus, viróides, prions e nematóides) e podem ser definidas como espécies que se encontram fora de seu ambiente natural, onde passam a se reproduzir e exercer dominância sobre outros organismos, constituindo ameaça à diversidade biológica - causando impactos ambientais ou perdas de produção. Um exemplo recente de praga introduzida no Brasil é o da ferrugem da soja, que causou prejuízos superiores a US$ 7 bilhões.

         O documento vai abordar o diagnóstico de pragas exóticas atuais ou introduzidas bem como aquelas de perigo potencial para o Brasil, ou seja, que ainda não entraram no país. As informações contidas no documento darão subsídios na tomada de decisões públicas quanto a medidas de prevenção e controle. As informações abrangerão também todos os tipos de grupos biológicos que afetam o ambiente marinho; águas continentais; terrestres e a saúde humana.

         À Embrapa coube o levantamento das pragas que podem representar ameaças à agricultura, pecuária e silvicultura. Os estudos foram desenvolvidos por cinco de suas 38 unidades de pesquisa – Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília, DF); Caprinos (Sobral, CE); Suínos e Aves (Concórdia, SC); Florestas (Colombo, PR) e Gado de Corte (Campo Grande, MS) - e resultaram na indicação de 155 espécies invasoras exóticas atuais e potenciais, divididas em: 92 pragas agrícolas; 30 relacionadas à silvicultura, 11 de forrageiras, 15 de caprinos e ovinos e sete de suínos e aves.

         Segundo a pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Olinda Maria Martins, o Informe apresenta o maior número possível de informações sobre as pragas, incluindo o nome científico, nome popular, locais de ocorrência e características morfológicas, bioecologia, técnicas de prevenção e controle, etc. O objetivo é aumentar o conhecimento sobre as espécies exóticas ou pragas e, assim, auxiliar na definição de medidas para prevenir a sua entrada ou promover o seu controle.

         A pesquisadora explica que o documento vai auxiliar na revisão das políticas públicas brasileiras e na criação de novas medidas para fomento do uso sustentável da agricultura, pecuária e silvicultura. Além disso, ela espera que contribua significativamente para aumentar a conscientização pública quanto à importância da segurança biológica no Brasil.

         Conscientização pública é fundamental

         Com o crescimento do agronegócio e do comércio internacional cresceram também os riscos de entrada de pragas no país. As exportações do agronegócio brasileiro aumentaram 7,3% no primeiro quadrimestre desse ano com relação a 2005, segundo levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA) do governo do estado de São Paulo. Se por um lado, o agronegócio é um dos setores que mais crescem no Brasil, por outro é também o mais vulnerável, em função do risco da entrada de pragas e enfermidades que podem devastar a nossa agricultura e pecuária se não forem tomadas as medidas necessárias.

         A simples entrada de um “vasinho de plantas” trazido inocentemente do exterior como souvenir pode representar perigo, pois junto com ele podem entrar também inimigos invisíveis a olho nu, como fungos, vírus, bactérias e outros microrganismos e insetos, que podem comprometer seriamente a economia brasileira. “É muito importante que a sociedade em geral tenha consciência desses riscos, pois só assim conseguiremos um futuro melhor por meio da sustentabilidade da agricultura e proteção do meio ambiente”, enfatiza Olinda.

         Por isso, o Informe sugere como medidas importantes para prevenir a entrada das espécies exóticas invasoras: o aumento da conscientização da população, especialmente a partir dos veículos de comunicação de massa; e a inclusão desse tema e de outros vinculados à segurança biológica, no ensino brasileiro. Espera-se, ainda, que o documento sensibilize o governo brasileiro a aumentar os investimentos em capacitação e treinamento dos pesquisadores e técnicos que atuam na inspeção, fiscalização, detecção e identificação de pragas, além de propiciar melhorias nos laboratórios credenciados para a análise fitossanitária ou quarentenária de espécies vegetais. Segundo Olinda, todas as informações levantadas e reunidas no documento foram agrupadas em uma base de dados que será disponibilizada para todas as instituições brasileiras que atuam na prevenção e controle de espécies exóticas invasoras.

( Texto de Fernanda Diniz, jornalista, Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia)

 

 
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