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Documento sem título
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Educação,
meio ambiente e interesses privados
O
assédio das grandes empresas ao ambiente educacional brasileiro
tem aumentado bastante nos últimos anos e este fato deveria,
de há muito tempo, já ter merecido a atenção
especial das autoridades brasileira e de entidades da sociedade
civil.
A
indústria agroquímica e mais recentemente a de biotecnologia
(quase sempre representadas pelas mesmas empresas ou grupos),
a exemplo do que ocorre com a indústria farmacêutica,
têm encontrado terreno livre para adentrar as nossas universidades,
buscando influir decisivamente na formação dos futuros
profissionais, certamente com a intenção de atraí-los
para sua visão de mundo, nem sempre de acordo com o interesse
público e da nação brasileira.
O
processo crescente de degradação do ensino público
tem favorecido esta invasão indevida. Com isso, antes mesmo
de chegarem ao mercado, futuros profissionais da área de
Ciências Agrárias (Agronomia, Zootecnia, Veterinária
etc) são apresentados a soluções que visam,
sobretudo, aumentar os lucros das grandes corporações
multinacionais que atuam no setor de sementes, fertilizantes,
agrotóxicos etc, quase sempre interessadas em obter o controle
do mercado através de ações e estratégias
monopolísticas.
Infelizmente,
em muitos casos, esta presença nefasta conta com a omissão
ou mesmo a cumplicidade das direções das instituições
universitárias e de professores/pesquisadores, muitos deles
comprometidos com estas organizações.
O
problema, no entanto, tem assumido proporções cada
vez mais dramáticas, até porque, não safisfeitos
em avançar sobre os nossos jovens universitários,
as empresas agora se dispõem (ou são convidadas)
a frequentar também as escolas de primeiro e segundo graus,
onde encontram ainda terreno mais propício para difundirem
seus conceitos. Professores mal formados, ou não atentos
para os verdadeiros objetivos destas empresas, e diretores sem
consciência crítica têm permitido o acesso
a crianças com formação ainda incompleta
e, portanto, incapazes de perceberem o jogo do capital privado.
Este
assédio é maior nos Estados e munícipios
onde a presença destas corporações é
mais significativa , o que evidencia a disposição
de "fazer a cabeça" dos educadores e estudantes,
preparando-os para uma agricultura baseada em soluções
químicas e transgênicas, verdadeiras agressões
aos conceitos de sustentabilidade e de biodiversidade.
É
fundamental que estejamos alertas e denunciemos esta investida
dos interesses privados porque ela prejudica a formação
dos nossos jovens e crianças na medida em que prioriza
a vertente econômico/financeira em detrimento da vertente
sócio-cultural, como se fosse esta a postura correta em
termos de agricultura e meio ambiente.
Os
monopólios (leia-se Monsanto, Syngenta, Du Pont) precisam
permanecer distantes do território sagrado das nossas universidades
e escolas de primeiro e segundo graus. Os governos, os educadores
e os administradores não podem compactuar com este processo
excuso de interferência dos interesses privados no nosso
ambiente educacional.
Precisamos
estar comprometidos firmemente com uma educação
plural, que privilegie o espírito crítico, e que
faça frente à ação deletéria
dos interesses privados. Não devemos aceitar que esta perspectiva
transgênica e agrotóxica prevaleça em nossas
escolas. A agricultura, o meio ambiente e a própria sociedade
não podem ficar à mercê da lógica do
mercado e da racionalidade empresarial. Precisamos exorcizar esta
bruxa "round up" que anda profanando o território
sagrado da educação brasileira.
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