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Comunicação
e meio ambiente: o jornalismo como forma de conhecimento na precaução
de danos ambientais
Michele Cardoso*
Resumo
Por
meio da inter-relação entre diferentes conceitos,
busca-se neste trabalho explanar a problemática inserida
entre comunicação e meio ambiente. No que se refere
à comunicação, são apresentadas as
escolas teóricas que justificam a prática superficial
do jornalismo relacionada aos interesses capitalistas, buscando-se
como alternativa a prática revolucionária da profissão,
entendida aqui como tudo o que o jornalismo deveria ser, mas não
é. Quanto ao meio ambiente, soma-se a crítica do
conhecimento fragmentado à precaução aos
danos ambientais num contexto de sociedade de risco, com vistas
a encontrar no jornalismo uma possibilidade de auxiliar neste
quadro.
Portanto,
ocorre neste trabalho a defesa pela prática responsável
do jornalismo, considerando o mesmo instrumento de democracia
e de incentivo ao exercício da cidadania na defesa por
um meio ambiente saudável, bem como a referência
à profissão do seu dever de informar para a proteção
da vida em todas as suas formas, propondo-se a interdisciplinaridade
como método de abordagem jornalística para a formação
do conhecimento na população. Todos estes conceitos
encontram-se ilustrados e relacionados na cobertura jornalística
da Região Carbonífera Catarinense desde a década
de 1970, utilizada como estudo de caso.
Introdução
Este
artigo busca sintetizar a idéia defendida pela monografia
de mesmo título, em sua forma original, partindo de uma
análise crítica, fundamentada em Adelmo Genro Filho,
sobre a teoria do jornalismo, para no estudo e na pesquisa interdisciplinar
encontrar a potencialidade da profissão em informar a população
com vistas à formação do conhecimento para
a precaução aos danos ambientais.
Para
tanto foram relacionados os conceitos de comunicação
e de meio ambiente, corroborando a potencialidade jornalística
na difusão de informações de cunho ambiental
e conteúdo informativo para a formação social
do conhecimento, com vistas a impelir ao jornalismo sua responsabilidade
diante da sociedade em geral. Apesar disso, viu-se, no estudo
de caso - realizado a partir da análise das matérias
cuja abordagem se deu na região carbonífera catarinense
- a confirmação da falta de responsabilidade jornalística
com os interesses difusos de proteção ambiental
para a consolidação do direito a um meio ambiente
saudável. Não se procurou colocar a responsabilidade
por danos ambientais na imprensa, mas sim a sua possibilidade
de precaver estes danos por meio do poder de divulgação
sobre os riscos que a sociedade está exposta.
Na Comunicação, como citado anteriormente, o marco
teórico foi a concepção de Adelmo Genro Filho
sobre a potencialidade do jornalismo como mediador do conhecimento,
em crítica ao pragmatismo da funcionalista Escola de Chicago
e ao pessimismo da Escola de Frankfurt. Buscou-se, ainda, nos
escritos de Paulo Freire e José Marques de Melo a conexão
entre educação e comunicação.
Já
no campo das Ciências Sociais, para definição
do tema Meio Ambiente, encontrou-se base em Enrique Leff e na
amplitude, interdisciplinaridade e complexidade da questão
ambiental referenciada pelo autor. No Direito Ambiental, para
a conceituação de democracia e cidadania ambiental,
bem como do princípio de precaução na sociedade
de risco foram consultadas as obras de José Rubens Morato
Leite, prof. Dr. da UFSC, com amplo desenvolvimento científico
na área, estudioso da teoria da "Sociedade de Risco",
formulada pelo sociólogo alemão Ulrich Beck.
As
Teorias da Comunicação e o Potencial do Jornalismo
É
inevitável iniciar um trabalho de pesquisa em comunicação
pela Escola de Chicago, por sua importância e iniciação
teórica, partindo daí para a Escola de Frankfurt,
ambas de extrema relevância para as ciências sociais
em geral. Trata-se de um aparato imprescindível para contextualizar
a comunicação em seu nível teórico
e prático, tal qual vemos hoje.
Neste
trabalho, porém, tanto a escola norte-americana quanto
a alemã serão criticadas com fundamentação
no teórico brasileiro do Jornalismo Adelmo Genro Filho,
de concepção marxista e otimista ao tratar dos potenciais
jornalísticos.
A
Escola de Chicago surgiu na década de 1910 caracterizada
pela tentativa de teorizar uma ciência social sob base empírica.
Entre seus teóricos, destacam-se Robert Park, que trabalhou
com a função social do jornalismo, e Harold Lasswell,
dedicado principalmente às potencialidades da propaganda
(2). Em ambos os autores, há uma preocupação
comum: analisar a função da comunicação.
Essa análise é o que caracteriza a sociologia funcionalista
dessa escola norte-americana, estimulada pela fórmula-frase
de Lasswell: Quem diz o quê por que canal e com que efeito?
(3)
Em
suma, correndo o risco da simplicidade demasiada, pode-se dizer
que o funcionalismo busca sistematizar os efeitos da comunicação
em fórmulas matemáticas aplicando-as a uma ciência
social.
A
sociologia funcionalista concebia mídias, novas ferramentas
da democracia moderna, como mecanismos decisivos de regulação
da sociedade e, nesse contexto, só podia advogar uma teoria
voltada para a reprodução dos valores do sistema
social, do estado de coisas existente. (4)
Além
disso, é uma Escola que analisa a prática jornalística
a fim de justificá-la e conseqüentemente legitimá-la,
percebendo o jornalismo como fenômeno isolado e limitando-se
à compreensão matemática da comunicação.
A
Escola de Chicago foi fundamental para a sistematização
da notícia, cuja metodologia também se ateve à
teoria sob base empírica. Assim, para que a prática
da notícia se tornasse eficiente, foram adotados alguns
pressupostos da prática jornalística tais como a
imparcialidade, a objetividade e a impessoalidade, sob critérios
diversos de noticiabilidade. Tomarei por exemplo as características
da prática jornalística para a confecção
de uma notícia citadas e criticadas por Genro Filho (5).
Entre elas está a transformação do fato em
notícia de forma objetiva, sem transparecer qualquer juízo
de valor, devendo esta ser, portanto, neutra, impessoal e imparcial.
Se
fosse possível o relato estritamente objetivo de um fato
somado apenas às impressões puramente pessoais,
a tese da objetividade estaria, no fundamental, correta. Não
haveria nenhum problema político ou ideológico na
manifestação desse tipo de subjetividade. Seria
possível, então, um jornalismo "imparcial"
em relação às questões fundamentais
da luta de classes, desde que a subjetividade (individual) ficasse
confinada a certos parâmetros, que não impedissem
o público de distinguir o diamante bruto que seriam os
fatos objetivos por baixo das sobreposições emocionais
do redator. (6)
A
notícia conforme aqueles que tentaram sistematizá-la
deve ser ainda dotada de atualidade, precisão e interesse
(7), sob critérios de raridade, curiosidade, raio de influência
(8), com deveres de exatidão, honradez, responsabilidade
e decência (9), e, finalmente, com as funções
de informar, interpretar, guiar e divertir (10).
Ora,
o jornalismo deve ser "imparcial", mas deve "interpretar"
os fatos e "guiar" seus leitores. Fica evidente que
há uma interpretação e um sentido que devem
brotar naturalmente dos próprios fatos, com base, portanto,
nos preconceitos e concepções dominantes na sociedade,
que se manifestam no chamado "bom senso", expressão
individual da ideologia hegemônica. (11)
Todavia,
não satisfeito em criticar a caracterização
da notícia conforme aqueles que a sistematizaram, Genro
Filho tece a sua própria teoria. Para o autor, os critérios
de noticiabilidade são a singularidade, a particularidade
e a universalidade. Em outras palavras, a notícia deve
ter como critério inicial sua especificidade, isto é,
a sua diferenciação diante de outras, o caráter
único (singularidade). Em seu desenvolvimento deve apresentar-se
com caracterização própria (particularidade)
e atender ao interesse público (universalidade).
No
universal, estão contidos e dissolvidos os diversos fenômenos
singulares e os grupos de fenômenos particulares que o constituem.
No singular, através da identidade real, estão presentes
o particular e o universal dos quais ele é parte integrante
e ativamente relacionada. O particular é um ponto intermediário
entre os extremos, sendo também uma realidade dinâmica
e efetiva. (12)
É
nesse ponto que novamente ele faz crítica à teoria
da notícia, dessa vez conforme a pirâmide invertida,
cujo princípio é o de que a parte mais importante
a se noticiar (base da pirâmide) deve vir primeiro, e, por
último, a menos importante (topo da pirâmide). Trata-se
de um pressuposto da prática jornalística que retira
da notícia o aspecto narrativo, atribuindo à mesma
o caráter expositivo do fato, ou seja, segundo a pirâmide
invertida, a notícia deve relatar uma série de fatos
não por sua ordem de acontecimento, mas a partir do mais
importante. (13)
Em
suma, o que temos é o conjunto essencial de informações
no primeiro parágrafo, denominado lead, no qual devem estar
respondidas as perguntas o quê? quem? quando? onde? como?
por quê?, ordenadas novamente de forma descendente a partir
da informação mais importante. Os parágrafos
seguintes ao lead têm a função de explicá-lo,
contudo, o que é primordial para ser noticiado, já
se apresentou superficialmente resumido no início do texto.
(14)
Tanto
o lead quanto a pirâmide invertida são aspectos eficientes
na aplicabilidade da teoria da notícia, porém são
bastante criticados por reduzir a criatividade jornalística
em detrimento da industrialização e padronização
da notícia e dar a ilusão de informação
ao leitor que, geralmente, resume a leitura aos primeiros parágrafos.
Através
de manchetes, títulos, linhas de apoio e leads as notícias
apresentam-se como produtos à venda, fazendo uso dos pressupostos
atrativos da propaganda. Mas a notícia como mercadoria
é tema de estudo de uma outra escola teórica, denominada
Escola de Frankfurt.
Embora
embasada no marxismo no que diz respeito à crítica
voraz que faz ao capitalismo, destacaremos a Escola de Frankfurt,
surgida na década de 1940, principalmente pelo seu viés
pessimista e elitista, conforme a crítica de Genro Filho.
Esta escola e os estudiosos de seus desdobramentos abordam a relação
entre os meios de comunicação - a prática
jornalística - e os interesses capitalistas mantenedores
dos veículos de informação. Em suma, percebem
a "informação jornalística como produto
da comunicação de massa, comunicação
de massa como indústria cultural e indústria cultural
como fenômeno da sociedade urbana e industrializada."
(15)
Destacam-se
aqui dois teóricos desta escola: Adorno e Horkheimer. São
eles que formulam a teoria da Indústria Cultural e nela
afirmam que a massa forma-se através da substituição
da consciência pelo conformismo (16). Isto é, a Indústria
Cultural, da qual o jornalismo é parte, dita e difunde
os padrões comportamentais limitando a capacidade de reflexão
do indivíduo sobre o que há e o que ocorre no mundo.
Em outras palavras: "a padronização de gostos,
idéias, desejos, leva a um cenário propício
à dificuldade de desenvolvimento do senso crítico,
com fins de rentabilidade econômica e controle social."
(17)
Consideram,
portanto, o jornalismo como agente criador, manipulador e dominador
da massa para que esta aja por sua conformidade em substituição
à sua consciência. Genro Filho vê esta escola
como pessimista e ataca a mesma por deixar em um beco sem saída
a prática jornalística e ainda não perceber
o seu potencial humanizador e democrático.
O que se percebe no autor é preocupação em
ampliar a visão das possibilidades do jornalismo. Vê-lo
não somente como fantoche do sistema capitalista, mas como
forma social e crítica de apreensão da realidade.
(18)
Embora
o jornalismo expresse e reproduza a visão burguesa do mundo,
ele possui características próprias enquanto forma
de conhecimento social e ultrapassa, por sua potencialidade histórica
concretamente colocada, a mera funcionalidade ao sistema capitalista.
(19)
O
jornalismo como forma social de conhecimento tem suas raízes
relacionadas à Escola de Chicago, quando Robert Park buscava
uma função social para a profissão. O autor,
porém, condicionado à sua base empírica,
vê essa função social como a necessidade de
adequar a massa aos moldes capitalistas. É ainda superficial
ao perceber o jornalismo apenas como um mediador de conhecimento,
sem funções de produzir e reproduzir o mesmo. Por
fim, e novamente por estar condicionado ao que via no cotidiano
dos jornais, Park vê a notícia como uma informação
desprovida de contexto. (20)
O
jornalismo como forma social de conhecimento vai além da
conceituação simples, superficial e baseada na prática.
Trata-se da forma do fazer jornalístico que apreende sua
responsabilidade diante da sociedade. É uma atribuição
social à sua função de produtor e reprodutor
de conhecimento com vistas à conscientização,
educação e transmissão de informações
de interesse difuso em linguagem acessível à população.
Essa
funcionalidade não foi buscada com vistas a justificar
a prática da comunicação industrial ligada
às ações que favorecem o andamento do sistema
capitalista, mas sim nas carências sociais de cidadania
e democracia e na necessidade de suprimento das mesmas através
da ação conjunta de diferentes profissões,
diferentes conhecimentos e diferentes ciências. O jornalismo,
com base em seus pressupostos presentes tanto na legislação
como em seu código de ética tem não só
a função de contribuir como a responsabilidade profissional
de atuar para o bem estar social.
Chegamos,
enfim, à demonstração teórica do potencial
educador do jornalismo. Paulo Freire (21) afirma em seu livro
Educação como Prática da Liberdade que o
diálogo entre a educação e o homem é
o que significa a comunicação. Assim, o manejo de
informações pode ser compreendido como um processo
educacional ao passo que se constitui de conhecimento sistematizado
e possui potencial de transmissão para aprendizagem.
Para
Freire, somente o homem integrado à sociedade através
da disponibilidade de educação, e de ser educado,
desenvolve o senso crítico sobre o conjunto e o meio em
que está inserido podendo participar e interagir nas relações
sociais e não somente vê-las como algo externo a
si mesmo. O jornalismo, por ter como principal atribuição
informar a população, pode mediar a educação
de forma democrática, incitar a participação
do indivíduo na sociedade não com vistas a adequá-lo
aos moldes capitalistas, mas sim com o objetivo de capacitá-lo
para a integração. É a partir desta idéia
de estar integrado ao todo que o homem passa a exercer a sua cidadania.
Logo, percebemos aqui que além de ter potencial formador,
mediador, produtor e reprodutor de conhecimento, o jornalismo
também pode auxiliar na educação e estimular
o exercício da cidadania. (22)
É
somente a partir da crença nos potenciais jornalísticos
explanados anteriormente que se pode tecer um diálogo entre
o jornalismo (responsável) e o meio ambiente.
A
necessidade de atuação jornalística para
a proteção ambiental
Em
seu sentido lato, meio ambiente corresponde ao "(...) conjunto
de condições, leis, influências e interações
de ordem física, química e biológica, que
permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas." (23)
Contudo,
para falar de meio ambiente é necessário considerar,
em primeiro lugar, seu caráter holístico, multidisciplinar
e o princípio de ação local - implicação
global. O local e o global estão em síntese ilustrados
na citação que segue:
"a
biosfera é um espaço coletivo de cujo equilíbrio
sensível à ação modificadora dos homens
depende a existência dos indivíduos e comunidades.
A ação modificadora do homem sobre a natureza, no
espaço de uma nação, pode provocar alterações
ambientais para além de suas fronteiras. Inúmeras
atividades de caráter local têm implicações
sobre o equilíbrio global do planeta." (24)
Conforme
expressa o artigo 225 (25) da Constituição Federal
o direito a um meio ambiente saudável é difuso e
nele está presente a necessidade de divulgação
de uma consciência pública de proteção
ambiental. Neste ponto já caberia salientar a necessidade
de atuação jornalística, mas o principal
direito que tange diretamente ao exercício do jornalismo
vem expresso na Lei da Política Nacional do Meio Ambiente
(26) que se dá no direito de estar informado sobre a condição
do meio ambiente e a ação do Estado por sua defesa.
"Por
via de regra, o meio ambiente é uma questão de interesse
difuso e todos devem ter acesso a informações ambientais"
(27). Com esta frase Leite e Ayala (28) resumem o critério
de universalidade, ou de interesse público, para que o
jornalismo noticie o meio ambiente. A informação
ambiental é um instrumento da democracia que resulta na
efetividade da cidadania no que tange ao direito a um meio ambiente
saudável.
A população informada sobre a situação
do meio ambiente e articulada para protegê-lo demonstra
a efetividade da democracia ambiental. Já o exercício
do direito a um meio ambiente saudável, bem como das obrigações
éticas de cidadãos no tratamento à vida e
à natureza como um todo é o que Leite e Ayala (29)
denominam cidadania ambiental. O jornalismo posiciona-se como
instrumento fundamental tanto na promoção da democracia
quanto da cidadania ambiental.
Por
este viés de cunho educativo resultante da idéia
de democracia ambiental, o jornalismo tem a missão de esclarecer
o cidadão da necessidade de sua participação
política e pró-ativa nas ações de
proteção à vida, buscando meios de atuar
para recuperar ou precaver os danos ambientais prejudiciais a
si e a toda a sociedade. Entende-se, aqui, democracia ambiental
atentando-se novamente ao meio ambiente como bem coletivo e à
tomada de decisões referente ao mesmo exigente de um caráter
participativo, requerendo, portanto, uma população
mundial informada e conhecedora da crise ambiental. (30)
Um
dos princípios fundamentais de proteção efetiva
ao meio ambiente e no qual também se faz necessário
a divulgação de informação ambiental,
é o denominado princípio de precaução
(31). O princípio de precaução se dá
na prevenção ao risco abstrato, ou seja, é
a cautela sobre o que a ciência ainda não tem confirmação
em relação à periculosidade e aos riscos
fornecidos pela atividade, produto ou comportamento humano (32).
Em suma, é o caráter preventivo ao que ainda não
se tem conhecimento sobre o risco potencial lesivo das atividades
humanas.
O
princípio de precaução, utilizado em uma
sociedade de risco mostra-se indispensável para a proteção
ambiental e a conservação da vida. Compreende-se
aqui sociedade de risco, conforme o conceito de Ulrich Beck (33)
simplificado por Ferreira (34): trata-se de uma nova fase da sociedade
industrial em que a modernização, a tecnologia e
a escala de atividades atingiram forças produtivas imensuráveis
cujo risco escapa ao controle dos sistemas de regulação
existentes.
Porém,
a democracia e a cidadania ambiental só poderão
agir conforme o princípio de precaução a
partir do momento em que a população estiver informada
sobre os riscos a que está exposta, ou a potencialidade
dos mesmos de lesarem o meio ambiente.
Considerando
o potencial jornalístico de educar e formar conhecimento
social, pode-se por ele precaver um dano ambiental e ao mesmo
tempo incentivar a prática da cidadania entre a sociedade,
evitando que seja necessário ocorrer o dano para que então
seja noticiado. Assim, a população uma vez informada
poderá exercer seus direitos em detrimento de atividades
que venham lesionar o bem coletivo e de direito difuso que é
o meio ambiente. "Não há como se prevenir dos
riscos dos danos que uma determinada atividade pode vir a causar
se não se sabe que a mesma está sendo desenvolvida."
(35)
A
divulgação das informações ambientais,
que normalmente estão concentradas em órgãos
especializados, é indispensável para o conhecimento
dos pontos de desequilíbrio e para a tomada de atitudes
preventivas e corretivas. (36)(grifo meu)
A
notícia não precisa restringir-se aos fatos consumados
como critérios de informação ao público.
"A informação é o conjunto de formas,
condições e atuações para fazer públicos
(...) os elementos do saber, de fatos, de acontecimentos, de especulações,
de ações e projetos (...)".(37) (grifo meu)
O
jornalismo, portanto, mostra-se como um instrumento essencial
de construção da democracia para o exercício
da cidadania ambiental, com potencial de servir como ferramenta
de efetivação do princípio de precaução
ao dano ambiental e, assim, proteger o meio ambiente. "O
jornalista enquanto profissional e cidadão, face à
incontestável força da imprensa, pode e deve colaborar
com a educação ambiental, difundindo as informações
de ciência e tecnologia e a consciência ecológica."
(38)
Porém,
para que o jornalismo comunique com eficiência a temática
ambiental, faz-se necessário ter como principal característica
o tratamento interdisciplinar dos fatos que ocorrem no cotidiano
para difundi-los com vistas à formação de
conhecimento conforme a realidade. Assim, o jornalismo ambiental
não restringe a atuação do jornalista à
temática que se refere ao meio ambiente, até por
que, como visto anteriormente, o conceito de meio ambiente é
demasiado amplo para significar uma especialidade de acordo com
os moldes ocidentais de fragmentação do conhecimento.
"...
o jornalista ambiental é quem fará a ligação
de temas geralmente abordados por outras editorias com a questão
ecológica e aprofundará, de forma educativa e não
técnica-científica, o que for pautado sob a esfera
ambiental. Logo, entende-se que este profissional deve ter como
principal característica o tratamento interdisciplinar
dos fatos que ocorrem no cotidiano para difundi-los com vistas
à formação de uma consciência holística.
Ou seja, o jornalismo ambiental não é só
um ramo jornalístico passível de ser apresentado
somente por uma editoria, mas sim, ao inter-relacionar os assuntos,
refere-se a uma nova forma do fazer jornalístico. Essa
nova forma busca informar, situar e contextualizar o assunto para
o receptor da mensagem, além de propor estratégias
para se difundir o conhecimento, o que não difere muito
dos próprios deveres jornalísticos." (39)
Os
principais problemas da difusão da temática ambiental,
apontados pelos emergentes teóricos do jornalismo ambientalmente
engajado (40), estão relacionados à falta de inter-relação
entre temas, à ausência de factualidade dos mesmos,
à dificuldade de compreensão do assunto em sua totalidade
por parte dos jornalistas, à superficialidade, ao conformismo
na profissão, aos interesses divergentes e ao caráter
parcial das notícias ambientais.
Ou
seja, percebe-se a prática do jornalismo confinada aos
moldes descritos pela Teoria Crítica. É uma profissão
conformada em servir aos interesses de uma minoria poderosa e
detentora do capital, em detrimento da maioria que corresponde
ao público receptor da mensagem. Além disso, o jornalismo
aceita a superficialidade e o pragmatismo descritos pela Escola
de Chicago, transformando o seu potencial formador de conhecimento
em uma técnica adaptada de informação ilusória
e desinteressada, incapaz de cumprir com os deveres da profissão.
O jornalismo, abstendo-se de seu potencial formador de conhecimento
para informar com vistas à proteção ambiental,
restringe sua prática tornando-se um instrumento de legitimação
do sistema e de tudo o que pode interessá-lo (e que, nem
sempre, ou quase nunca está relacionado à preservação
do meio ambiente).
Seu
potencial, porém, não há escola teórica
que seja capaz de retirar: como Genro Filho defende em seu livro,
o jornalismo é uma forma social de conhecimento e, conforme
Paulo Freire, a comunicação é o diálogo
entre o homem e a educação. Logo, para difundir
a temática ambiental é necessário, antes
de tudo, apaixonar-se pela causa e ousar na profissão.
Essa ousadia entendida como prática revolucionária
da profissão significa tudo aquilo que o jornalismo deveria
ser, mas não é. Para explicitar tanto as defasagens
do jornalismo no trato à temática ambiental, como
também a dificuldade em abordar o meio ambiente do ponto
de vista de proteção, foi realizado um estudo de
caso sobre a relação entre a imprensa catarinense
e a região carbonífera.
O
Estudo de Caso
O
Carvão e a Região Sul Catarinense
O
carvão em Santa Catarina tem sua ascensão e decadência
diretamente ligadas ao ganho ou à perda dos incentivos
governamentais. Entre os anos de 1975 e 1985 esteve em seu auge.
A partir de 1990, com o corte do auxílio do governo, decaiu.
Aí então, na busca pela sobrevivência desta
indústria, foram organizados grupos de empresários
do setor para fortalecer o mercado produtor com vistas a um aumento
no consumidor do carvão. É importante ressaltar
que o carvão catarinense é de péssima qualidade.
A maior parte é de rejeitos, sendo apenas uma minoria aproveitada
para a energia. Esses rejeitos vão para o ar e para o solo,
degradando toda a região de exploração e
uso do carvão. A região carbonífera compreende
os municípios de Lauro Müller, Urussanga, Orleans,
Treviso, Nova Veneza, Siderópolis, Criciúma, Cocal
do Sul, Morro da Fumaça, Içara, Forquilhinha e Araranguá,
com entorno em Tubarão e Capivari de Baixo, além
de Imbituba, por onde era escoada a produção para
exportação. (41)
O
impacto ambiental da mineração
Ao
todo 24 municípios sofreram impactos ambientais causados
pela mineração, totalizando uma população
de 659.130 habitantes, a contaminação de 3.698 quilômetros
de rios, a deterioração de 100 mil hectares de áreas
mineradas e a emissão de 300 milhões de toneladas
de rejeitos no ar. (42)
Como
resultados do impacto ambiental causado pelo carvão têm-se:
a acidez das águas dos rios e elevação de
seus níveis a partir da poluição com rejeitos
sólidos, afetando toda a população tanto
no consumo de água quanto nas atividades agropastoris e
pesqueiras; a poluição do ar, que afetou diretamente
aos trabalhadores das minas (pneumoconiose) e a toda a população
residente na região de entorno e também se fez presente
em níveis elevados na região do Complexo Termelétrico
Jorge Lacerda, aumentando o índice de doenças respiratórias
e dermatológicas, além de anencefalia, e ainda ocasionando
chuvas ácidas nas proximidades. (43)
A
exploração e o uso do carvão produziram uma
degradação ambiental em nível tão
elevado que a Região Carbonífera do Sul do Estado
de Santa Catarina foi considerada, através do decreto nº
85.206 de 25 de setembro de 1980, como a 14ª Área
Crítica Nacional para efeito de Controle da Poluição
e Conservação da Qualidade Ambiental. (44)
A Cobertura Jornalística sobre a Região Carbonífera
As matérias para o estudo de caso foram selecionadas a
partir de uma ordem cronológica de ações
da indústria carbonífera. O período principal
está compreendido entre a década de 80 e 90, com
poucas matérias do final da década de 70 e algumas
mais atuais, do ano 2000 até hoje. As matérias selecionadas
tiveram alguns dados para a sua caracterização tabulados,
como: identificação (título), jornal, abordagem,
fontes citadas, data, editoria e importância da matéria
na página do jornal, conforme o tamanho e a localização
(45). Estes dados estão expostos na monografia que serve
de base a este artigo de forma primeiramente sistemática
para a identificação das matérias e posteriormente
descritiva para análise das mesmas. Aqui somente serão
resumidos os resultados das análises.
Entre
1979 e meados da década de 80, prevalecia na imprensa,
entre o que dizia respeito à bacia carbonífera catarinense,
o Projeto Sidersul. O projeto contava com forte articulação
política e empresarial no Estado. As matérias eram
transcrições de discursos políticos. A população
não era ouvida. Os jornais dedicavam edições
especiais ao tema, tinham anúncios de páginas inteiras
manifestando apoio à Sidersul, davam manchetes de capa
constantemente sobre o assunto, com um conteúdo sempre
voltado para os benefícios que uma siderúrgica traria
ao Estado. (46)
As
matérias, apesar de possuírem conteúdo farto,
informando de forma contextualizada, remontam à Teoria
Crítica, ao relacionar estritamente a prática jornalística
com os interesses capitalistas. Mais que isso, são absolutamente
parciais e não contam com a opinião pública,
repassando apenas a informação sob o ponto de vista
político (através da transcrição de
discursos) e econômico (publicações que se
assemelham aos projetos comerciais da empresa). (47)
O
meio ambiente, relacionado à indústria carbonífera,
teve lugar na imprensa desde o início da década
de 80. Porém, na década de 90, coincidentemente
a época de decadência da mineração,
a questão ambiental foi abordada com maior destaque. Todavia,
as matérias não buscam ilustrar soluções
para o leitor. Geralmente tratam do problema de forma pessimista
e conformista. Quando se tratam de denúncias, não
são consultadas as empresas para saber sobre o que estão
fazendo para sanar os danos denunciados. Também não
há preocupação em contextualizar o tema com
a própria população. Outra problemática
é o uso de termos técnicos e a falta de tradução
de dados estatísticos. (48)
A
década de 90 também foi marcada pela alta quantidade
de matérias referentes à questão social da
mineração, em geral abordadas sob o aspecto da greve
e das demissões dos mineiros. Algumas tratavam das doenças
"ocupacionais" dos mineiros, como a pneumoconiose. Não
há relação entre a questão da saúde
humana com a problemática ambiental. As matérias
são tratadas de forma desconexa, superficiais e atendem
à teoria da pirâmide invertida. (49)
Atualmente
o carvão na imprensa remonta aos tempos de auge do "ouro
negro". Os jornalistas parecem ter se esquecido dos malefícios
causados pela exploração e uso do carvão
no sul-catarinense. Todas as matérias pesquisadas estão
contidas na editoria de Economia. Assim, o cunho comercial e econômico
prevalece sobre questões sociais e ambientais. Aspectos
comuns: indicação de aumento na produção
do carvão, defesa pela instalação de usina
termelétrica em Treviso, adoção de mecanismos
limpos (obrigatoriedade das empresas) em forma de ações
em prol do meio ambiente, estímulo para a conquista de
subsídios governamentais para a indústria, algumas
contextualizações sobre a história do carvão
e seus impactos sociais e ambientais, consulta unânime ao
SIECESC como fonte. (50)
As
matérias são absolutamente relacionadas aos interesses
capitalistas. Remete-se aos tempos de auge do combustível
fóssil em que verdadeiros lobbys se formavam para a manutenção
das oligarquias carboníferas. Não há espaço
para as denúncias ambientalistas de outrora, nem mesmo
ouvidos para histórias reais de áreas naturais e
homens, mulheres e crianças que sofreram as conseqüências
da poluição. Não há espaço
para precaver a população da potencialidade dos
riscos a que a mesma está se expondo. O que se vê
são características de legitimidade da indústria
através da disseminação do conformismo: é
o risco para gerar energia. Há uma grande possibilidade
de, tanto a história, como a caracterização
das épocas nas notícias dos jornais, se repetirem.
(51)
Conclusão
articulada
A
prática jornalística está ligada aos interesses
capitalistas;
A superficialidade das notícias ilude o receptor da mensagem;
Não há possibilidade de se fazer um jornalismo responsável
nestes moldes;
O
jornalismo tem potencial formador de conhecimento, principalmente
quando trata as notícias de forma interdisciplinar e informa
para integrar o homem e transformar;
O
jornalismo pode ser uma forma democrática de educação
para o povo;
O
jornalismo tem deveres democráticos e responsabilidade
social sobre o que informa;
O
jornalismo ambiental requer, além de responsabilidade,
independência e inter-relação entre os assuntos,
hoje abordados de forma fragmentada por editorias desconexas com
a realidade;
O
jornalismo pode e deve atuar na precaução aos riscos
de danos ambientais, a efetividade da democracia e da cidadania
ambiental;
O
jornalismo na região carbonífera não é
atuante, não incita a prática de cidadania, mostra-se
em sua maioria ligado aos interesses capitalistas e não
age na precaução aos danos causados pelo carvão;
O
jornalismo está legitimando a continuidade de exploração
da região carbonífera e estimulando o conformismo
social na degradação do meio ambiente, mesmo já
presenciando a deterioração local, com vistas à
continuidade da atividade para impulsionar a economia da região
sem considerar os fatores econômicos (ambientais) a longo
prazo.
O
jornalismo pode ser um agente transformador e ajudar a mudar este
quadro.
Reflexão
Os
tomadores de decisão política afirmam que não
são responsáveis: no máximo, eles 'regulam
o desenvolvimento'. Os especialistas científicos dizem
que criam novas oportunidades tecnológicas, mas não
decidem sobre a maneira como são utilizadas. Os empresários
explicam que estão apenas atendendo a demanda do consumidor.
É o que eu chamo de irresponsabilidade organizada. A sociedade
virou um laboratório onde ninguém se responsabiliza
pelo resultado das experiências. (52)
E
nós jornalistas? Não é nosso dever informar?
Ou iremos nos ater de nossa maior função social?
Devemos exaurir nossos anseios como cidadãos em detrimento
do conformismo instalado na prática da profissão
que escolhemos? Não. Podemos fazer diferente? Sim, podemos.
Que
a irresponsabilidade organizada conforme elucida o sociólogo
alemão Ulrich Beck na teoria da Sociedade de Risco, não
atinja por total o jornalismo, e que restem os chamados utópicos,
idealistas e advogados da profissão para explicar às
futuras gerações sobre a negligência à
vida que preponderou em nossos tempos. Torço, sinceramente,
para que não cheguemos a tal ponto e acredito que não
precisemos chegar. E é para lembrar a responsabilidade
jornalística na precaução a este quadro que
está concluído este trabalho.
Notas
(1)
Artigo com base em Monografia apresentada como critério
parcial de obtenção do título de bacharel
em Comunicação Social - Jornalismo, pela Universidade
do Sul de Santa Catarina.
(2)
MATTELART, Armand. História das Teorias da Comunicação.
São Paulo: Loyola, 1999.
(3)
Id., ibid., p.40.
(4)
Id., ibid, p. 73.
(5)
GENRO FILHO, Adelmo. O Segredo da Pirâmide: para uma Teoria
Marxista do Jornalismo. Porto Alegre: Tchê, 1987, p. 49.
(6)
Id., ibid.
(7) Id., ibid., p. 43.
(8)
Id., ibid., p. 45.
(9)
Id., ibid., p.43.
(10)
Id., ibid.
(11)
Id., ibid., p. 41.
(12)
GENRO FILHO, Adelmo. O Segredo da Pirâmide: para uma Teoria
Marxista do Jornalismo. Porto Alegre: Tchê, 1987, p. 162.
(13)
Id., ibid., p.191.
(14)
Id., ibid.
(15)
MEDINA, Cremilda. Notícia, um produto à venda: Jornalismo
na Sociedade Urbana e Industrial. 4ª ed. São Paulo:
Summus, 1998, p.16.
(16)
ADORNO, Theodor. A indústria cultural. In: COHN, G. Comunicação
e Indústria Cultural. São Paulo: Edusp, 1971, p.293.
(17)
PEREIRA, Michele Cardoso. Comunicação e Meio Ambiente:
o jornalismo como forma de conhecimento na precaução
a danos ambientais. Monografia (Graduação). Universidade
do Sul de Santa Catarina, Curso de Comunicação Social
- Jornalismo, 2006, p. 9.
(18)
Id., ibid., p.10.
(19)
GENRO FILHO, Adelmo. O Segredo da Pirâmide: para uma Teoria
Marxista do Jornalismo. Porto Alegre: Tchê, 1987, p.46-7.
(20)
MEDINA, Cremilda. Notícia, um produto à venda: Jornalismo
na Sociedade Urbana e Industrial. 4ª ed. São Paulo:
Summus, 1998, p.18.
(21)
FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade.
10ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.
(22)
PEREIRA, Michele Cardoso. Comunicação e Meio Ambiente:
o jornalismo como forma de conhecimento na precaução
a danos ambientais. Monografia (Graduação). Universidade
do Sul de Santa Catarina, Curso de Comunicação Social
- Jornalismo, 2006, p. 15.
(23)
Lei n. 6938/81 (Lei da Política Nacional do Meio Ambiente).
(24)
ACSELRAD, Henri (org). Meio Ambiente e Democracia. Rio de Janeiro:
Ibase, 1992, p.21.
(25)
Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,
bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade
de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade
o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes
e futuras gerações. §1º VI - promover
a educação ambiental em todos os níveis de
ensino e a conscientização pública para a
preservação do meio ambiente.
(26)
Lei 6.938/81 (Política Nacional do Meio Ambiente): prevê
a divulgação de dados e informações
ambientais para a formação de consciência
pública sobre a necessidade de preservação
da qualidade ambiental e do equilíbrio ecológico
(art. 4º, V). No art. 9º diz que entre os instrumentos
da Política Nacional do Meio Ambiente está a garantia
da prestação de informações relativas
ao meio ambiente, obrigando-se o Poder Público produzi-la,
quando inexistentes, inclusive. (N.A)
(27)
LEITE, José Rubens Morato; AYALA, Patrick de A. Direito
Ambiental na Sociedade de Risco. Rio de Janeiro: Forense Universitária,
2002, p.268.
(28)
Id., ibid.
(29)
Id., ibid. p.246.
(30)
PEREIRA, Michele Cardoso. Comunicação e Meio Ambiente:
o jornalismo como forma de conhecimento na precaução
a danos ambientais. Monografia (Graduação). Universidade
do Sul de Santa Catarina, Curso de Comunicação Social
- Jornalismo, 2006, p. 24.
(31)
Princípio do Direito Ambiental baseado no fundamento da
dificuldade e/ou impossibilidade de reparação do
dano ambiental. (N.A.)
(32)
PEREIRA, Michele Cardoso. Comunicação e Meio Ambiente:
o jornalismo como forma de conhecimento na precaução
a danos ambientais. Monografia (Graduação). Universidade
do Sul de Santa Catarina, Curso de Comunicação Social
- Jornalismo, 2006, p. 25.
(33)
Sociólogo alemão teórico da Sociedade de
Risco. (N.A.)
(34)
FERREIRA, Heline Sivini. A Sociedade de Risco e o Princípio
da Precaução no Direito Ambiental Brasileiro. Dissertação
(Mestrado). Florianópolis: Universidade Federal de Santa
Catarina, 2003.
(35)
LEITE, José Rubens Morato; AYALA, Patrick de A. Direito
Ambiental na Sociedade de Risco. Rio de Janeiro: Forense Universitária,
2002, p.266.
(36)
TOSTES (1994: p.26) apud LEITE, José Rubens Morato; AYALA,
Patrick de A. Direito Ambiental na Sociedade de Risco. Rio de
Janeiro: Forense Universitária, 2002, p.266.
(37)
BRAJNOVIC (1967: p.31) apud MEDINA, Cremilda. Notícia,
um produto à venda: Jornalismo na Sociedade Urbana e Industrial.
4ª ed. São Paulo: Summus, 1998: p.22.
(38)
TARGINO, Maria das Graças; BARROS, Antônio Teixeira
de. A informação ambiental no jornalismo piauiense.
Relatório de Pesquisa financiada pelo CNPQ, mediante bolsa
de iniciação científica, 1992, p.12.
(39)
PEREIRA, Michele Cardoso. Comunicação e Meio Ambiente:
o jornalismo como forma de conhecimento na precaução
a danos ambientais. Monografia (Graduação). Universidade
do Sul de Santa Catarina, Curso de Comunicação Social
- Jornalismo, 2006, p. 28.
(40)
Sobre a relação entre jornalismo e meio ambiente
foram consultados textos e livros de André Trigueiro, Juarez
Tosi, Roberto Villar Belmonte, Vilmar Berna e Washington Novaes,
que estão na maioria citados na monografia que serve de
base para este artigo. Resumindo o apontamento destes autores
quanto aos principais déficits da informação
ambiental, chegou-se à relação da problemática
de comunicar o meio ambiente exposta aqui. (N.A.)
(41)
PEREIRA, Michele Cardoso. Comunicação e Meio Ambiente:
o jornalismo como forma de conhecimento na precaução
a danos ambientais. Monografia (Graduação). Universidade
do Sul de Santa Catarina, Curso de Comunicação Social
- Jornalismo, 2006, p. 28.
(42)
ZANCAN, Fernando Luiz; GOMES; Cléber. Recuperação
Ambiental da Bacia Carbonífera Catarinense. Criciúma:
SIECESC, 2004.
(43)
PEREIRA, Michele Cardoso. Comunicação e Meio Ambiente:
o jornalismo como forma de conhecimento na precaução
a danos ambientais. Monografia (Graduação). Universidade
do Sul de Santa Catarina, Curso de Comunicação Social
- Jornalismo, 2006, p. 37.
(44)
Id., ibid.
(45)
Id., ibid., p.43.
(46)
PEREIRA, Michele Cardoso. Comunicação e Meio Ambiente:
o jornalismo como forma de conhecimento na precaução
a danos ambientais. Monografia (Graduação). Universidade
do Sul de Santa Catarina, Curso de Comunicação Social
- Jornalismo, 2006, p. 43.
(47)
Id., ibid. p. 44
(48)
Id., ibid. p. 45
(49)
PEREIRA, Michele Cardoso. Comunicação e Meio Ambiente:
o jornalismo como forma de conhecimento na precaução
a danos ambientais. Monografia (Graduação). Universidade
do Sul de Santa Catarina, Curso de Comunicação Social
- Jornalismo, 2006, p. 50.
(50)
Id., ibid., p. 52
(51)
Id., ibid., p. 52
(52) BECK, Ulrich. A ciência é causa dos principais
problemas da sociedade industrial. Folha de São Paulo.
São Paulo, 20 nov. 2001.
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__________. Desregulamentação
prejudicou carboníferas. A Notícia. Joinville, 09
abr. 2000.
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Michele Cardoso
Formanda em Comunicação Social - Jornalismo pela
Universidade do Sul de Santa Catarina, aluna do Curso de Geografia
da Universidade Federal de Santa Catarina, Assessora de Comunicação
e militante do movimento ambientalista.
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