Ano I - Nº 01 - Abril de 2007

:: A Comunicação esqueceu o agronegócio

 

      Embora muita gente, inclusive na universidade, continue repetindo o velho chavão: a vocação brasileira é a agropecuária, pouco se tem feito, efetivamente, para legitimar esta realidade, em especial nos cursos de Comunicação/Jornalismo.

      Os motivos são muitos, mas vale a pena destacar de imediato 3 deles. Em primeiro lugar, há carência de professores e de pesquisadores de Comunicação/Jornalismo dispostos ou capacitados a coordenarem projetos ou ministrar disciplinas ou conteúdos nessa área. Em segundo lugar, as grades curriculares dos cursos universitários, mesmo localizados em Estados ou municípios absolutamente identificados com a agropecuária, não contemplam esta alternativa, como se a comunicação rural e o jornalismo agropecuário não tivessem qualquer importância. Finalmente, não há, por parte das empresas ou entidades da área, qualquer esforço no sentido de estimular esta capacitação, o que contribui para aumentar a invisibilidade do agronegócio nas faculdades ou cursos de Comunicação/Jornalismo.

      Esta lacuna traz conseqüências negativas para a área que se vê alijada do foco de interesse dos futuros comunicadores ou profissionais de imprensa e, portanto, incapaz de contar, a médio e longo prazos, com recursos humanos e pesquisas que possam qualificá-la.

      O desconhecimento da importância da agropecuária para o desenvolvimento nacional, a falta de conscientização dos problemas vividos pelo campo, a inexistência de debate, nos bancos das universidades, sobre temas relevantes como segurança alimentar, bioenergia, biodiversidade, impacto das mudanças climáticas na agricultura, agricultura familiar etc deverão gerar, de imediato, condições adversas para o trabalho em comunicação/jornalismo em agronegócio.

      Esta formação poderia ser útil tanto para as empresas do setor, que poderiam dispor de profissionais melhor informados sobre as suas principais pautas, como para a universidade que incluiria entre seus objetos de pesquisa temas de grande atualidade e relevância econômica e sócio-cultural.

      A capacitação de profissionais em comunicação e jornalismo voltados para o agronegócio contribuiria também para a multiplicação de espaços e veículos para a cobertura da área, hoje reduzida a informações comerciais de interesse de corporações monopolistas. Serviria para ampliar o debate da questão agropecuária para além da mera preocupação econômica e sobretudo contextualizar essa vocação (que é real, dada a riqueza de nossos recursos naturais) a partir de uma perspectiva mais crítica.

      Urge abrir espaços na universidade brasileira para a comunicação rural e o jornalismo agropecuário. Vamos descruzar os braços?

 
Home