Ano I - Nº 01 - Abril de 2007

:: Coleção sobre Biodiversidade divulga o pantanal e o cerrado

 

      Escolas, universidades, comunidades e organizações ambientalistas já podem conhecer de forma criativa a flora e as vegetações do Cerrado e do Pantanal. Lançada em março de 2007, a coleção Valorizando a Biodiversidade no Ensino de Botânica é a primeira com abordagens didáticas da flora regional voltadas à educação ambiental e ao ensino de ciências e de biologia. A obra refere-se a dois dos mais importantes biomas brasileiros: o Pantanal e o Cerrado. O Pantanal é a maior área úmida continental de água doce do planeta e se caracteriza por uma rica diversidade de espécies. Ele é um elo entre os biomas Cerrado, Mata Atlântica, Chaco Paraguaio, Bosque Seco Chiquitano e Amazônia. O Cerrado, um dos biomas mais degradados e menos conservados do Brasil, guarda um alto grau de biodiversidade e riquezas, inclusive plantas medicinais, do qual uma pequena percentagem foi estudada.

      A obra é composta de cinco materiais: um livro sobre a vegetação do Pantanal; oito cartões postais com imagens de frutos silvestres comestíveis; um livro de poemas sobre diversas plantas e interações ecológicas; um pôster sobre as formações vegetais pantaneiras e um caderno de apoio do(a) professor(a).

      O pôster, que apresenta formações vegetais típicas do Pantanal, como o paratudal, o espinheiral e o carandazal, foi idealizado há oito anos pela botânica Ubirazilda Maria Resende. Já o livro Vegetação do Pantanal, de autoria do professor Cláudio de Almeida Conceição e voltado ao público jovem, destaca-se pela linguagem simples e ricas ilustrações. Cláudio Conceição fundou o primeiro herbário do Estado, no campus da UFMS em Corumbá, município conhecido como a “Capital do Pantanal”. Na obra, o professor Cláudio aborda as principais espécies da vegetação pantaneira e como elas se distribuem no ambiente.

      Já os cartões postais prometem dar frutos no ensino: trazem o jatobá, o acuri, a bocaiúva, o buriti, o maracujá-do-mato, a guavira, o pequi e o caraguatá com informações nutricionais de pesquisadoras do Laboratório de Tecnologia de Alimentos da UFMS.

      Fiel ao conhecimento científico, mas livre como a inspiração humana, o livro Síntese de Poesias é a metade da laranja de uma publicação anterior de Paulo Robson de Souza, o Poesia Animal, escrito com Sidnei Olívio. Na obra recente, ao invés da temática da fauna, o biólogo se inspirou nas plantas do Cerrado e do Pantanal. "Embora seja destinada a professores de Ciências e Biologia, esta publicação também é um excelente material para aulas de literatura e língua portuguesa", comenta Souza. Professores que trabalham com a técnica da versificação ou querem contextualizar uma obra, encontrão vários estilos e formas poéticas: cordéis, haicais (pequenos poemas de origem japonesa), versos livres, trovas e até letras de músicas no estilo brega, modinhas e uma moda de viola.

      Assinam artigos e atividades pedagógicas do livro Contextualizando a Botânica os botânicos Arnildo Pott, Ângela Lúcia Bagnatori Sartori, Geraldo Alves Damasceno Júnior, Ubirazilda Maria Resende e Vali Joana Pott, a jornalista Maria José Surita Pires de Almeida e a engenheira agrícola Elizabeth Arndt, além do organizador Paulo Robson. Nele, professores e alunos aprendem sobre a importância dos herbários e como realizar a coleta de uma planta no ambiente natural para permitir sua catalogação e identificação científica. Contribuições para melhorar a qualidade nutricional da merenda escolar e a dieta de comunidades de baixa renda ou mesmo para sobrevivência na mata são outros assuntos de grande interesse, assim como uma lista das principais espécies de plantas comestíveis e medicinais do Pantanal. As diferentes formas de se trabalhar didaticamente os cartões postais e o pôster, várias informações científicas sobre as plantas abordadas nos poemas e como as plantas se espalham pelo mundo também são abordados nesse livro.

      A organização da coleção é do professor de prática de ensino de biologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Paulo Robson de Souza, autor de diversas publicações literárias e ambientais, materiais didáticos, brinquedos ecológicos e premiado fotógrafo de natureza. "Desde que assumi as disciplinas de Práticas de Ensino de Biologia e Ciências, em 1992, percebi que era praticamente nula a existência de materiais didáticos regionais para escolas do Mato Grosso do Sul, apesar da sua peculiar biodiversidade. Era preciso fazer a minha parte", conta o biólogo. A obra, publicada pela Editora UFMS, recebeu apoio da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect).

      Assinam o projeto editorial a jornalista Marília Leite, com design de Lennon Godoi. Já os ícones usados para identificar os volumes da coleção "são fragmentos de desenhos de autoria da professora de Fisiologia Vegetal da UFMS, doutora Tereza Cristina Stocco Pagotto. Utilizando lápis e canetas hidrocor, Tereza faz um mergulho profundo no subconsciente, buscando formas aparentemente desconhecidas, mas certamente encontradas no estudo das plantas – especialmente por aqueles que têm uma sensibilidade maior".

      Por ter recebido recursos públicos, da Fundect, 1.250 exemplares foram doados para instituições públicas. Todas as 395 escolas estaduais de Mato Grosso do Sul, por exemplo, ganharam o material didático antes mesmo do lançamento da coleção. Para o público, de qualquer faixa etária, a Coleção Valorizando a Biodiversidade no Ensino de Botânica está à venda com preço reduzido em livrarias ou através do contato com o organizador. Para chegar às escolas das redes privada e municipal o projeto busca parceiros e apoiadores como prefeituras, empresas ou organizações.

Sobre o organizador:
Paulo Robson de Souza é baiano de Vitória da Conquista, licenciado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Espírito Santo. É mestre em Microbiologia do Solo pela Esalq/USP e professor da UFMS, em Campo Grande, onde atua na formação de professores desde 1987. Atuando desde 1992 como fotógrafo de natureza, é ganhador de prêmio nacional de fotografia científica pela Revista Ciência Hoje, da SBPC, e menção honrosa do concurso Árvores Brasileiras, do BBA. Durante as comemorações de 100 anos de Campo Grande – MS (1999), oito peixes do Pantanal fotografados por Souza estamparam três milhões de selos, com detalhe em holografia, lançados na China.

Mais informações:
Paulo Robson de Souza (organizador): (67) 3345 7329 / (67) 9251 0860
www.dbi.ufms.br/~paulorobson
paulorobson.souza@gmail.com
Preço sugerido: 25 reais

Observação: Texto extraído do material de divulgação da Coleção publicada pela UFMS.

 
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