Agora não dá
mais para tapar o sol com a peneira e muito menos ficar
confortavelmente acusando os países ricos de serem
os grandes vilões da natureza. É preciso assumir
de uma vez por todas que temos culpa no cartório
e que não estamos fazendo direito a nossa lição
de casa.
Pesquisa publicada na edição digital da revista
americana Proceedings of the National Academy of Sciences
(http://www.pnas.org) comprova o que todos nós sempre
suspeitamos: somos os campeões em desmatamento de
florestas tropicais úmidas, respondendo por 47,8%
do total, uma porcentagem vergonhosamente maior do que os
12,8% da Indonésia.
Na prática, isso significa que, entre 2000 e 2005
(período coberto pela pesquisa), o Brasil desmatou
as suas florestas tropicais a uma taxa anual de 26 mil quilômetros
quadrados, um cenário terrível se levarmos
em conta que, apesar de dispormos de um terço destas
florestas no mundo, contribuimos para quase metade do desmatamento,
conforme acentua o Imazon.
Enquanto a derrubada continua célere aos olhos de
todo o mundo, o governador do Mato Grosso (considerado o
Estado mais devastador do planeta) Blairo Maggi continua
insistindo em favorecer a soja e o gado, o agronegócio
em geral, preocupado apenas com o aumento das exportações
de commodities e de seu próprio lucro. A fiscalização,
embora tenha aumentado, continua insuficiente para barrar
o ritmo do desmatamento e o discurso oficial se mantém
hipócrita, tentando minimizar o problema.
É verdade que os países ricos são
os maiores responsáveis pelo aquecimento global,
visto que historicamente vêm poluindo o planeta, mas
esse fato, bastante utilizado pelas nossas autoridades,
não pode servir para que permanecemos com esta política
predadora do meio ambiente, alicerçada num modelo
de desenvolvimento que é, sob todos os aspectos,
insustentável.
Precisamos firmar definitivamente um compromisso com o
nosso futuro e ele obrigatoriamente passa pela ruptura desse
processo predatório. Há muitos campeonatos
que podemos conquistar mas esse, certamente, nos envergonha
a todos. Mais triste é perceber que somente a médio
e longo prazos poderemos, ainda assim com muita vontade
política (que é o que anda mais em falta em
nosso País), reverter esse quadro lastimável.
Até quando vamos continuar jogando a sujeira para
debaixo do tapete?