Agenda 21
Agricultura familiar
Agricultura Orgânica
Agrotóxicos
Biodiversidade
Biopirataria
Biossegurança
Clima/Mudança Climática
Commodities Ambientais
Comunicação Rural
Desenvolvimento e Sustentabilidade
Ecossistemas
Efeito Estufa
El Niño
Gestão Ambiental
Jornalismo em Agribusiness
Jornalismo Ambiental
Marketing Rural
Pesquisa Agropecuária
Reciclagem
Reforma Agrária
Sem Terra
Setor Rural no Brasil
Transgênicos
Jornalismo Ambiental


::
Brasil, campeão em desmatamento. E não vamos fazer nada?

 

     Agora não dá mais para tapar o sol com a peneira e muito menos ficar confortavelmente acusando os países ricos de serem os grandes vilões da natureza. É preciso assumir de uma vez por todas que temos culpa no cartório e que não estamos fazendo direito a nossa lição de casa.

Pesquisa publicada na edição digital da revista americana Proceedings of the National Academy of Sciences (http://www.pnas.org) comprova o que todos nós sempre suspeitamos: somos os campeões em desmatamento de florestas tropicais úmidas, respondendo por 47,8% do total, uma porcentagem vergonhosamente maior do que os 12,8% da Indonésia.

Na prática, isso significa que, entre 2000 e 2005 (período coberto pela pesquisa), o Brasil desmatou as suas florestas tropicais a uma taxa anual de 26 mil quilômetros quadrados, um cenário terrível se levarmos em conta que, apesar de dispormos de um terço destas florestas no mundo, contribuimos para quase metade do desmatamento, conforme acentua o Imazon.

Enquanto a derrubada continua célere aos olhos de todo o mundo, o governador do Mato Grosso (considerado o Estado mais devastador do planeta) Blairo Maggi continua insistindo em favorecer a soja e o gado, o agronegócio em geral, preocupado apenas com o aumento das exportações de commodities e de seu próprio lucro. A fiscalização, embora tenha aumentado, continua insuficiente para barrar o ritmo do desmatamento e o discurso oficial se mantém hipócrita, tentando minimizar o problema.

É verdade que os países ricos são os maiores responsáveis pelo aquecimento global, visto que historicamente vêm poluindo o planeta, mas esse fato, bastante utilizado pelas nossas autoridades, não pode servir para que permanecemos com esta política predadora do meio ambiente, alicerçada num modelo de desenvolvimento que é, sob todos os aspectos, insustentável.

Precisamos firmar definitivamente um compromisso com o nosso futuro e ele obrigatoriamente passa pela ruptura desse processo predatório. Há muitos campeonatos que podemos conquistar mas esse, certamente, nos envergonha a todos. Mais triste é perceber que somente a médio e longo prazos poderemos, ainda assim com muita vontade política (que é o que anda mais em falta em nosso País), reverter esse quadro lastimável.

Até quando vamos continuar jogando a sujeira para debaixo do tapete?

 

 

 
 
Home Voltar para artigos